Grande Mestre
Giovanni Vescovi

Giovanni Vescovi é um dos maiores nomes da história do xadrez brasileiro, e foi o idealizador e um dos fundadores da ADX - Associação para o Desenvolvimento do Xadrez. Ao longo de sua carreira enxadrística, Giovanni conquistou diversos títulos nacionais e internacionais.

Até os seus 18 anos, venceu todos os campeonatos brasileiros e panamericanos de sua categoria que disputou, e manteve-se entre os 3 primeiros jogadores do mundo nascidos em 78, seja por rating ou em campeonatos mundiais.

Tornou-se mestre internacional aos 15 anos, ao vencer o pan-americano sub-20 em 1993, e conquistou o título de GM aos 20 anos em 1998, ano em que conquistou o campeonato mundial juvenil por equipes e liderou pela primeira vez a equipe olímpica brasileira.

Abaixo confira a biografia do Giovanni Vescovi. Clique a seta para conferir!

Agosto 1986 O início
Primeiros Lances

Nascido em Porto Alegre (RS) aos 14 de junho de 1978, Giovanni Portilho Vescovi morou durante toda sua infância na capital paulista. Aprendeu a jogar xadrez com seu pai, por volta dos três ou quatro anos de idade. 

Em agosto de 1986 começou a ter aulas semanais no Club Athlético Paulistano com o professor Angel Gutierrez. Nesta época também praticava outros esportes como ginástica olímpica, natação e futebol. 

Seu primeiro torneio foi um aberto no Clube de Xadrez de São Paulo, onde enfrentou adultos e perdeu todas as seis partidas. Neste ano também participou de seu primeiro campeonato paulista mirim (sub-10), onde venceu duas partidas e perdeu três, sem grande destaque. Neste começo, seu treinamento se limitava a duas aulas semanais e resolução de exercícios de tática.

Em 1987 Conquistas
Primeiras Conquistas

Nas férias de verão 86/87 começou a ter aulas com o professor Jefferson Pelikian. Essa parceria foi muito importante para a carreira de Giovanni, e é uma amizade que dura até os dias de hoje. 

Giovanni foi o primeiro aluno do professor Pelikian, e a primeira grande mudança no treinamento veio com a leitura em conjunto do livro Estratégia Moderna do Xadrez, de Ludek Pachman. Também nessa época foi montado um repertório de aberturas simples, porém eficientes, para jogar com as peças pretas: a Defesa Siciliana variante do Dragão, e a Defesa Grunfeld. 

Em 1987 Giovanni venceu o primeiro campeonato brasileiro mirim (sub-10). Na primeira rodada seu adversário foi o maranhense Rafael Leitão, que viria a se tornar também um dos maiores nomes da história do xadrez brasileiro. Ao vencer o match de desempate contra Edson Nascimento por 2x0, Giovanni conquistou a vaga para disputar o Campeonato Mundial. Naquela época somente os campeões nacionais podiam disputar o Mundial.

Em julho, aos nove anos de idade, Giovanni viajou sozinho para Porto Rico, e sagrou-se vice-campeão mundial. Era a primeira vez que um atleta brasileiro conquistava um título em campeonatos mundiais, e isso impulsionou a carreira do jovem atleta. 

A cobertura da mídia em jornais, TV e revistas de grande circulação contribuiu para a parceria com a Warner Lambert, dona dos chicletes Bubbaloo. O patrocínio permitiu garantir os estudos, mais treinos, e duas viagens para torneios internacionais por ano.  

A rotina diária era simples: escola, clube, natação e xadrez. Em 1988 conquistou novamente o campeonato brasileiro mirim (sub-10) e ficou em 6º lugar no Mundial, em Timisoara – Romênia.

Em 1989 Escola e Xadrez
Desafios


O ano de 1989 foi de muitos desafios. Primeiramente, do lado acadêmico. Além de uma agenda cheia de viagens nacionais e internacionais, o jovem talento cursava regularmente a 5ª série no período da manhã, e ao mesmo tempo realizava as provas da 6ª série da turma da tarde.

Giovanni estudava desde a primeira série no Colégio Visconde de Porto Seguro, escola alemã tradicional da capital paulista, e por recomendação da diretoria foi aberto um processo junto ao MEC (Ministério da Educação e Cultura) para possibilitar ao aluno pular um ano. Após uma bateria de exames psicológicos, testes de QI e avaliação com corpo pedagógico da escola, o pedido foi deferido, com a condição de que o aluno passasse nas provas de seu ano regular e do ano seguinte. Foi um ano de muito estudo, mas deu tudo certo.

Nos tabuleiros a performance continuou melhorando. Em março disputou seu primeiro Open Internacional em Mar del Plata, contra adultos. Mas provavelmente seu grande feito foi ter conquistado os campeonatos paulistas sub-20, sub-18, sub-16, sub-14 e sub-12, todos aos 10 anos de idade. 

Venceu o brasileiro sub-12 em Manaus, bem como o brasileiro sub-14 no Rio de Janeiro, e terminou em 5º lugar no brasileiro sub-20 em Rio Branco. Venceu o 1º Campeonato Pan Americano sub-12.

No Mundial sub-12, novamente realizado em Porto Rico, apesar de iniciar bem e com vitória sobre o bicampeão, o norte-americano John Viloria, não conseguiu manter a liderança e ficou com o 5º lugar.

Em 1990 #1 do Ranking Mundial
Rating Fide


Em 1990 Giovanni foi o representante brasileiro no Mundial sub-18, em Singapura. Apesar da derrota na última rodada, e no dia de seu 12º aniversário, Giovanni formou seu bloco final de rating FIDE, e passou a figurar na lista de rating internacional com 2260. Com isso, passou a ser o #1 do ranking mundial de sua categoria.

No Mundial sub-12, realizado nos EUA, liderou as 8 primeiras rodadas, mas após perder para o soviético Boris Avrukh, acabou finalizando no 4º lugar. Além de vencer o brasileiro de sua categoria, Giovanni sagrou-se vice-campeão brasileiro sub-18 e ficou em 3º lugar no brasileiro sub-20. Optou por disputar o Pan Americano sub-18 ao invés de sua categoria, e terminou empatado em primeiro lugar, ficando com o quarto lugar no critério de desempate.

No final do ano, disputou seu primeiro Open Internacional no continente europeu. O Internacional de Groningen só permitia jogadores com rating mínimo de 2200. Apesar do resultado fraco, foi uma experiência importante. 

Em 1991 Mestre Internacional
Campeão Panamericano Juvenil

Disputar torneios com adultos contribuiu muito para o desenvolvimento do jogo de Giovanni. Embora tivesse participado de vários torneios abertos, ainda não era tido como um forte candidato ao título contra adultos.

Mas a partir de 1991 o nível de jogo já estava mais maduro, e Giovanni se classificou para a Final do Campeonato Brasileiro Absoluto, aos 13 anos de idade. Terminou empatado na 5ª colocação.

Apesar de ser o #2 do ranking mundial de sua categoria, Giovanni teve participações fracas nos mundiais sub-14, sub-18 e sub-26 de 1991.

Além de vencer o brasileiro sub-14, o brasileiro sub-18 e o Pan Americano sub-14, Giovanni jogou seu primeiro Pan Americano Juvenil (sub-20), em Bariloche – Argentina, terminando empatado em 2º/3º lugar, ficando com o bronze no desempate.

A partir de ’91/’92 teve algumas sessões de treinamento com o MI Herman Claudius e com o GM Gilberto Milos, mas Giovanni passou a treinar sozinho a maior parte do tempo.

Os anos de ‘92 e ’93 tiveram os circuitos da Copa Latino Americana. Na etapa de São Paulo de ’92 Giovanni conquistou sua primeira norma de MI, e se classificou para a Final de ’93, onde derrotou pela primeira vez um GM, o brasileiro Jaime Sunye Neto. 

No Mundial sub-14 de ’92 em Duisburg, na Alemanha, o empate na última rodada tirou a chance de medalha, e Giovanni terminou em 5º lugar. No ano seguinte, no Mundial sub-16 em Bratislava, a última rodada veio com vitória e com ela o 3º lugar. 

O ano de 1993 foi importante porque além da conquista do Pan Americano Cadetes (sub-16), Giovanni também sagrou-se campeão Pan Americano Juvenil, com duas rodadas de antecedência, e com isso obteve o título de MI.

Em 1994 Mundial Juvenil
A Ano do Tetra

O ano de ’94 talvez tenha sido o mais marcante dessa primeira fase da carreira de Vescovi. 

Até esse momento, a curva de evolução vinha muito bem, em linha com alguns dos maiores nomes da história do xadrez mundial. O ano começou muito bem, com a conquista do seu primeiro título de Campeão Brasileiro Absoluto, na final disputada em Brasília. Apesar da vitória pelos critérios de desempate e no confronto direto, o regulamento previa a disputa de um match de desempate. O fato é que as condições oferecidas para realização do match não foram aceitas por Giovanni, e com isso a CBX outorgou oficialmente o título a Aron Correa. No mínimo poderia ser um título dividido, como já havia ocorrido em outras ocasiões. 

O Pan Americano de ’94 foi interessante. Novamente Giovanni optou disputar a categoria acima, sub-18, porém seu voo vindo do torneio de Mar del Plata atrasou, e a arbitragem não concedeu o bye ausente. Apesar de começar com um ponto inteiro a menos, Giovanni venceu mais esse Pan. 

Após a vitória no brasileiro de sua categoria, o MI Vescovi embarcou para o Mundial sub-16 em Szeged, na Hungria, na condição de #2 do mundo com 2440 de rating, atrás do favorito GM Peter Leko. 

Na bagagem, Giovanni levou uma bandeira do Brasil, e jogou várias rodadas com a camiseta da seleção. Apesar de o resultado no torneio não ter sido o esperado, com o 6º lugar, o bom humor rendeu seu primeiro convite para um torneio fechado internacional para norma de GM em Bermudas no ano seguinte.

E finalmente, talvez o torneio mais marcante da carreira de Giovanni: o Mundial Juvenil de "94", realizado no Brasil. 

O Mundial Juvenil, além de ser o mais prestigioso dos mundiais de categorias de base, realizado desde a década de ’50, dá ao campeão automaticamente o título de GM.

Após liderar por 11 rodadas, Giovanni perdeu uma das partidas mais importantes de sua carreira contra a GM húngara Szofia Polgar. Na posição crítica, Giovanni sacrifica a dama com ...a2!! – o lance correto! – porém erra ao não realizar um intermediário. Uma pena. A vitória na última rodada trouxe a consolação do bronze.

Após prestar os exames finais e concluir o ensino médio, Giovanni embarcou para sua primeira Olimpíada de Xadrez, em Moscou, para seguir numa turnê pela Europa pelos próximos 12 meses. 

Seu último torneio do ano foi no Open de Groningen. Com 5 vitórias nas cinco rodadas iniciais e dois empates, o jovem brasileiro precisava de 0,5 ponto em duas partidas para sua primeira norma de GM. Porém, mais uma vez não foi dessa vez...

Em 1995 Na Europa
Europa

Determinado a conquistar voos mais altos, a perspectiva de se dedicar exclusivamente ao xadrez parecia ser a decisão correta na visão de Vescovi. No entanto, sem patrocinadores desde ’92 e sem apoio para uma estrutura adequada, não houve grande destaque. A falta de uma rotina fora do xadrez (estudos e esportes), e a ausência de treinadores ou managers, tudo isso criou uma certa desorganização. 

Por outro lado, foi uma época de grande aprendizagem e experiência de vida. Baseado em Malmo, na Suécia, Giovanni aprendeu a falar sueco, e aprimorou seus conhecimentos de russo e alemão. Com uma mala de roupas e outra de livros, jogou em diversos torneios abertos pela Europa.

O 1º lugar no Open de Zlín, na República Tcheca, e o 4º lugar no Mundial Juvenil, na Alemanha foram os principais resultados do ano. No mundial sub-18 realizado no final do ano no Brasil, apesar do favoritismo, um resultado muito fraco.

Pode-se dizer que, no balanço geral, o ano de ’95 e a temporada na Europa ficaram aquém do esperado.

Em 1996 Interior de São Paulo
Americana

De volta ao Brasil, Giovanni foi convidado para defender a cidade de Americana, no interior de São Paulo, e ao completar seus 18 anos de idade decidiu se mudar para lá.

Venceu o brasileiro sub-18 e ficou com o 7º lugar no Mundial sub-18 ao empatar a última rodada com o MI grego Banikas. Uma pena, pois a vitória garantiria não somente a prata, como uma inédita dobradinha brasileira, pois o campeão do torneio foi Rafael Leitão. 

Os anos de ‘96 e ’97 foram de estagnação. Tudo mudou em ’98, quando Giovanni foi morar com sua então namorada e atual esposa, Dayse.

Em 1998 Grande Mestre
Grande Mestre

O ano de ’98 iniciou com uma excelente performance no Torneio de Bermudas, com a obtenção de sua primeira norma de GM.

Em seguida veio a segunda norma de GM, com a vitória no torneio magistral de Villa Martelli, na Argentina. E finalmente a última e definitiva norma de GM com a conquista do bicampeonato Pan Americano Juvenil, em Isla Margarita, Venezuela. 

Logo em seguida, o título de Campeão Mundial Juvenil por equipes. 

O título de GM foi outorgado no Congresso da FIDE, realizado durante a Olimpíada de Elista, na Rússia, em setembro de ’98. 

No mês seguinte, através de convite conseguido pelo GM Sunye Neto, foi o representante brasileiro no Rapid Chess World Cup, realizado em Cap d’Agde, França. Na primeira rodada, em sua primeira partida oficial como GM, empatou com o campeão mundial Anatoly Karpov. 

 

Em 1999 e 2002 O nascimento dos filhos
Família

Em janeiro de 1999 nasceu Katherine, a primeira filha do casal. Em novembro de 2002, Dayse e Giovanni tiveram o segundo filho: Giovanni Vescovi Filho.

A família e o início da fase adulta foram um grande estímulo para a carreira de Giovanni, como ficou claro com os resultados do ano anterior e seguintes.

Em 2000 Faculdade de Direito
Final do Brasileiro

Após 5 anos inteiramente dedicados ao xadrez, Giovanni decidiu retomar os estudos, iniciou o ensino superior na faculdade de Direito da PUC-Campinas em janeiro de 2000 e conquistou oficialmente seu primeiro título de campeão brasileiro absoluto (referente a ’99) em Brasília, após três vice-campeonatos em ’96, ’97 e ’98, sem considerar aquele discutível vice de ’94.

No final do ano conquistou o bicampeonato, em Teresina. Suas outras participações incluem as conquistas dos títulos em 2001, 2006, 2007, 2009 e 2010, bem como mais um vice em 2008 e um desastroso 9º lugar em 2011. 

Oficialmente são 7 títulos, 5 vices, um 5º/8º lugar e um 9º lugar, num total de 14 participações.

Em 2000 Match
Match Vescovi X Mecking

Em 2000 o GM Vescovi foi desafiado pelo lendário GM Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, para um match de seis partidas. 

O match foi decidido na sexta e última partida. Com as peças brancas, Giovanni utilizou a variante Rossolimo contra a defesa Siciliana, e obteve uma convincente vitória, levando o match por 3,5x2,5.

Em 2001 #1 do Brasil
Top 100 World Player

No início de 2001, após a conquista do bicampeonato brasileiro e a vitória sobre Mecking, Giovanni iniciou uma parceria com o MI Christian Toth, que passou a ser o seu segundo.

O foco do trabalho foi atacar o ponto fraco: as aberturas. De brancas foi feito um grande aprofundamento em aberturas que já haviam sido testadas no início da carreira, como a variante das Trocas na Ruy Lopez, e o Ataque Índio do Rei contra a Defesa Siciliana. Também foram incluídas no repertório as variantes Rossolimo e Moscou contra a defesa Siciliana. Com as pretas Giovanni passou a jogar 1.e4 e5, com a escolha da variante Zaitsev contra a abertura Ruy Lopez, e contra peão dama, passou a jogar a defesa Ortodoxa. 

Os resultados vieram rapidamente, com a conquista do Zonal 2.4 da FIDE em junho, a vaga para o Mundial, o rating acima de 2600 pontos e a presença no seleto grupo dos Top 100 do ranking mundial.

Apesar dos bons frutos, a parceria com o MI Toth foi encerrada no final do ano, após o Mundial de 2001 realizado em Moscou, onde após vencer o GM Boris Gulko na primeira rodada, Giovanni foi eliminado pelo campeão mundial de 2005, o búlgaro Veselin Topalov.

2002 a 2005 Capital Paulista
De Volta a Capital

Após seis anos morando em Americana, era hora de voltar para São Paulo. Consolidado como principal jogador brasileiro, Giovanni voltou a defender as cores do Club Athletico Paulistano e obteve o patrocínio dos Laboratórios Baldacci, o que contribuiu para um novo período de forte ascensão nos anos de 2002 a 2005.

Bermudas Tricampeão 2002, 2003 e 2004
Bermudas

O arquipélago de Bermudas tem uma grande importância na carreira do GM brasileiro, e vice-versa. No Mundial da Juventude de Szeged em ’94, num certo dia o jovem Vescovi estava na recepção do hotel fazendo festa enrolado na bandeira do Brasil e com a camiseta da seleção. O presidente da Federação de Xadrez de Bermudas, Nigel Freeman, e o pai do único representante da ilha no torneio, o Sr. Brian Alkon, intrigados com a figura, convidaram o brasileiro para um refrigerante.

De acordo com o Sr. Freeman, dessa conversa nasceu a ideia de organizar um torneio fechado na ilha, com a participação de jovens talentos do mundo. O Sr. Alkon, dono de uma rede de hotéis na ilha, ofereceria a estrutura logística, e com o apoio financeiro do Sr. Nick Faulks e outros patrocinadores locais, assim nasceu o tradicional Torneio de Bermudas, que entre 1995 e 2005 foi o torneio fechado mais forte no continente americano.

Tradicionalmente, o primeiro nome na lista de convidados dos organizadores era o do jovem brasileiro. Giovanni só não participou das edições de ’99 e 2000.

Nas edições de ’95 e ’97 a norma de GM bateu na trave, mas em ’98 veio a primeira. A partir de 2001 os organizadores focaram em elevar o rating médio e a categoria do torneio.

Giovanni venceu as edições de 2002, 2003 e 2004. Em 2002 dividiu a primeira colocação com os GM Hikaru Nakamura e Leif Johannessen. Em 2003 o torneio alcançou a cat. XV da FIDE, e dessa vez venceu sozinho, à frente do octacampeão russo GM Peter Svidler. 

A edição de 2004 alcançou a cat. XVI, com rating médio de 2648, e Giovanni obteve seu melhor resultado pessoal, com uma impressionante vitória sobre o GM Boris Gelfand na última rodada após 93 lances e 7 longas horas de jogo.

2004 a 2006 Iniciativas
Empreendedorismo

É difícil avaliar o quanto algumas iniciativas contribuíram ou prejudicaram a carreira de Vescovi, mas o fato é que no caminho ocorrem erros e acertos. Em ’99 e 2003, com ajuda de sua esposa Dayse, organizou duas turnês com o ex-campeão mundial Anatoly Karpov pelo Brasil. Essas certamente foram boas iniciativas. Giovanni teve a oportunidade de treinar com uma lenda do xadrez mundial, contribuiu para os programas de xadrez nas escolas, e promoveu o xadrez no país.

Em meados de 2004, pouco após a conquista do tricampeonato do Torneio de Bermudas, Giovanni foi contatado por Garry Kasparov, que gostaria de ver sua obra “Meus Grandes Predecessores” publicada em língua portuguesa. Giovanni decidiu então fundar uma editora, a Editora Solis, em sociedade com o amigo Francisco Garcez. Para manter a qualidade técnica e buscar seguir da forma mais fidedigna a intenção do autor, ficou decidido que Giovanni faria a tradução da nova versão atualizada e inédita diretamente do russo para o português. 

A edição em português foi a mais bem avaliada por Kasparov, e ficou pronta em tempo recorde. Mas apesar do legado, a empreitada exigiu muita energia, o que pesou no desempenho nos tabuleiros. O primeiro alerta veio logo na segunda partida do tie-break de seu match contra Guseinov na Copa do Mundo, na Líbia. Em posição com vantagem decisiva, o GM brasileiro simplesmente esqueceu do relógio e foi eliminado da competição. 

Em 2006, após a publicação do volume 4 da obra de Kasparov, Giovanni vendeu sua participação na Editora Solis. 

América Torneios Continentais e Zonais
Campeão Continental

O Campeonato Continental era realizado a cada dois anos, e classificava 07 jogadores para o Mundial da FIDE. Além dessas vagas, outra forma de se classificar era através dos Torneios Zonais: o Zonal 2.4 da FIDE era disputado por jogadores de Brasil, Peru e Bolívia, e oferecia 2 vagas.

As melhores participações em Continentais foram o 1º/2º lugar em 2003, em Buenos Aires, e o 1º/3º lugar em 2011 em Toluca, México. 

Na edição de 2005, novamente em Buenos Aires, ficou empatado de 2º/8º lugar e conquistou a vaga para o Mundial nos playoffs. O torneio de 2007 foi realizado em Cali, na Colômbia, e Giovanni novamente teve que disputar os playoffs, mas dessa vez ficou de fora.

Nos torneios Zonal 2.4, as melhores participações foram a conquista do título em 2001, o 2º/5º lugar na edição de 2005 e o terceiro lugar na edição de 2007.

World Cup Mundiais
Mundial e World Cup

As participações em Mundiais e em Copas do Mundo não merecem muito destaque. O sistema de disputa era de matches eliminatórios de duas partidas. Em 2001 foi eliminado na segunda rodada por Veselin Topalov, em 2004 perdeu na primeira rodada para Guseinov, e em 2005 passou pelo GM indonésio Utut Adianto, mas foi eliminado na segunda rodada pelo GM indiano Pentala Harikrishna. Apesar de classificado para a edição de 2011, não pode participar.

Equipe Olímpica De 1994 a 2012
Equipe Olímpica e Torneios Por Equipes

As equipes costumavam ser compostas por quatro titulares e dois reservas. Giovanni participou de sua primeira Olimpíada de Xadrez aos 16 anos de idade, em Moscou em 94, como 4º tabuleiro. Não participou das edições de ’96, ’04, ’08 e ’10 por problemas com a Confederação. Foi o primeiro tabuleiro nas edições de ’98, ’02 e ‘06. Sua última participação foi na Olimpíada de Istambul de 2012, como segundo tabuleiro.

Em 2009 liderou a equipe brasileira nas conquistas da 1ª Olimpíada do Mercosur e do Pan Americano por equipes. Também foi o primeiro tabuleiro da equipe brasileira no World Team Championship de 2010. 

Um evento muito tradicional do calendário nacional eram os Jogos Abertos do Interior de São Paulo. Embora não fossem válidos para rating, eram muito disputados e contavam com mestres e grandes mestres brasileiros e estrangeiros. Giovanni conquistou o 1º lugar em 9 ocasiões (’96, ’97, ’99, ’00, ’01, ’02, ’03, ‘04, ’06), ficou com o 2º lugar em 3 ocasiões (’95, ’05 e ’08) e com o bronze em 3 ocasiões (’94, ’98 e ’15). 

Nos torneios interclubes Giovanni defendeu as cores do Paulistano de ’89 a ’95 e posteriormente de ’02 a ’07, tendo conquistado 6 vezes o Campeonato Paulista Interclubes. Entre 2011 e 2014 jogou pelo Esporte Clube Pinheiros, obtendo duas vezes o 1º lugar e dois vices.

Elite Mundial Ascensão e auge: 2002 a 2006
Elite Mundial

Fazer parte do seleto grupo de grandes mestres convidados para os principais torneios do circuito internacional era um dos principais objetivos de Giovanni, que se manteve entre os 100 melhores do ranking mundial entre 2002 e 2011, e teve a oportunidade de enfrentar vários dos principais nomes da história do xadrez mundial.

Apesar do destaque e liderança no cenário nacional e sul-americano, para fazer parte da elite do xadrez mundial é preciso ter uma boa combinação de oportunidades e acertos. Assim como para outros fortes nomes do xadrez brasileiro, a distância e a falta de estrutura e apoio acabaram sendo obstáculos na carreira de Giovanni.

Bons treinadores e intercâmbio com jogadores mais fortes podem contribuir muito para a evolução de um jogador. Além disso, é importante participar de torneios fechados de alto nível, o que depende de um convite.

Vescovi foi convidado para os fortes torneios de Poikovsky, na Sibéria, nas edições de 2000, ’02 e ’03. Juntamente com as edições dos torneios de Bermudas entre 2002 e 2005, Giovanni teve a oportunidade de enfrentar membros da equipe olímpica russa e candidatos ao título mundial.

A grande oportunidade, no entanto, veio com o convite para o grupo B do prestigioso torneio de Wijk aan Zee, em 2006. O campeão receberia o convite para o grupo A no ano seguinte. Apesar de começar na liderança, a derrota para Magnus Carlsen na quinta rodada selou o destino.

Apesar dessa oportunidade perdida, Giovanni foi um dos seis estrangeiros convidados para o match China vs. Resto do Mundo, representando o continente americano. O evento foi realizado em Taiyuan, na China, num duplo turno entre a equipe olímpica chinesa e a equipe do resto do mundo, em seis tabuleiros.

No final do ano, após conquistar seu quarto título brasileiro, Giovanni enfrentou Karpov num match de 4 partidas rápidas, mas perdeu por 1,5 x 2,5 (+1 =1 -2).

OAB Primeira Transição
OAB

Aos 28 anos de idade, Giovanni decidiu começar a se preparar para uma nova fase de sua vida após o match com Karpov. Os resultados não estavam ruins, mas havia uma certa estagnação desde a conquista do torneio de Bermudas em 2004. 

Em 2007 Vescovi prestou o Exame da Ordem dos Advogados, obteve sua OAB e iniciou carreira de advogado. No entanto, mantinha as duas atividades de forma paralela. Os objetivos no xadrez foram alterados: sem maiores ambições internacionais, não havia necessidade nem tempo para se dedicar aos estudos e treinamento de um atleta profissional.

Rating recorde Filhos e Xadrez
Rating recorde

Enquanto Giovanni se distanciava aos poucos, seus filhos Katherine e Giovanni Filho começaram a competir. A animação de acompanhar a família nos torneios infantis aos finais de semana estimulou o GM a fazer uma nova tentativa no xadrez. Separava o tempo livre que tinha para treinar, e no segundo semestre de 2009 embarcou numa agenda de vários torneios abertos pelo país. Após vencer cinco torneios e a Final do Brasileiro, viu seu rating alcançar 2660 pontos.

FIDE Eleições 2010
Apoio a Karpov

Em fevereiro de 2010, Vescovi se encontrou com Karpov em Moscou. O lendário campeão mundial iria concorrer para a Presidência da FIDE nas eleições daquele ano, e convidou o brasileiro para liderar a campanha nos países sul-americanos. 

Outro apoiador de Karpov foi seu rival dos tabuleiros, Garry Kasparov, que atuou como chefe de campanha de Karpov. A campanha na América do Sul contou com uma agenda na Argentina, Uruguai e Chile, e vários eventos e conversas com jogadores, dirigentes esportivos, e chefes do executivo, como o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, e com o Presidente do Chile Sebastián Piñera. 

Karpov não venceu a eleição, e Giovanni foi excluído arbitrariamente da equipe brasileira pela CBX. Mas o intercâmbio com Kasparov fortaleceu uma amizade que vinha desde a publicação de seus livros no Brasil em 2004, e fez nascer a ideia de estabelecer uma filial da Kasparov Chess Foundation (KCF) na América do Sul, bem como as origens da ADX.

Festival ADX de Xadrez Fundação da ADX
Kasparov

Em 2011 foi fundada a ADX, e no mesmo ano foi organizado o Festival ADX de Xadrez, com a presença de Garry Kasparov. O lendário campeão passou uma semana no Brasil, com participações em São Paulo, Porto Alegre e Brasília.

No final da estadia, os dois GMs jogaram um match amistoso de seis partidas de blitz no terraço do hotel Sheraton em São Paulo. Giovanni venceu a primeira partida com as peças brancas em grande estilo, e o mini match terminou empatado com três vitórias para cada lado. 

Dias Atuais Mercado Financeiro
Novos Desafios

Em 2012 o GM Vescovi decidiu que era o momento de fazer uma mudança total, tanto em relação ao xadrez quanto à carreira jurídica, e buscar novos desafios.

A participação na Olimpíada de Istambul marca o encerramento de sua carreira como atleta profissional. Ao retornar ao Brasil, iniciou sua carreira no mercado financeiro como analista de crédito no Banco Itaú BBA. Atualmente, o GM Giovanni Vescovi é gestor de fundos de investimento.